segunda-feira, 2 de março de 2009

Voz do passado

De repente, o telefone toca e uma voz ,vinda lá de muito longe , do passado pergunta: Como está ? perguntei a várias pessoas e ,finalmente consegui o seu contacto, para saber de si .
Um velho amor, é claro. Nunca foi hábito meu fazer grandes amizades com antigos amores. A amizade é para mim, algo muito precioso e ,no meu caso, não costumo admitir mistura com restos de outros sentimentos. Mas, passada a surpresa inicial estive um bom bocado à conversa deixando um futuro almoço , mais ou menos combinado.
O que me faz reproduzir aqui este vulgar episódio é a estranheza do meu desprendimento ao conversar com alguém, que há alguns anos ,só ouvir a sua voz me punha num sobressalto e parecia que nada mais existia no mundo. Estranha coisa é o amor, a paixão cujo ardor depois de apagado e mesmo recordando bons momentos, não sobra nada , provavelmente nem a capacidade de ser amiga desta pessoa que vem do passado . Porque se lembrou de mim e fez tantos esforços para me contactar ? Do pouco que percebi , casamentos falhados, necessidade de falar com alguém . Porquê eu ? Logo eu que acho que uma paixão é uma coisa tão forte que consome tudo à sua volta e não deixa espaço para mais nada. E a pessoa em questão sabe-o , mas achou que eu seria boa ouvinte , neste momento da sua vida.
Pessoalmente , não me parece.Esse é o papel dos amigos e não dos ex-amores. Veremos.
Aguardemos os próximos capítulos. Há pessoas que, ao longo das suas vidas não foram capazes de fazer grandes amizades e quando se sentem sós, tentam olhar para trás.
Parece-me errado.

4 comentários:

pinguim disse...

Texto muito interessante sobre o amor, na forma de passado.
Também eu já reflecti bastante sobre os meus casos passados e à excepção de um, que sendo passado, continua a ser presente, devido a uma evolução muito positiva e consciente, todos, repito, se esfumaram no tempo...
Partilho a mesma casa com a pessoa que referi, e apenas substituímos o amor pela Amizade; cada um tem o seu amor actualmente e pergunto-me se essa Amizade não é amor, também...
De todos os outros, um telefonema como o teu, me deixaria surpreso, como te deixou a ti...

PAS[Ç]SOS disse...

Inquestionável o último parágrafo! Mas há que olhar para algum lado e, se não são muitos os portos... o desespero provoca tentar qualquer cais... mesmo aquele que, provavelmente, seria o menos indicado... Se o cais se sente incapaz de receber a embarcação à deriva, então deverá assumi-lo... não iludi-lo!

as-nunes disse...

Concordo, nocturna. Há que se ser capaz de separar uma paixão, no sentido de arrebatamento emocional até ao extremo, do Amor. Amor, no sentido em que se consegue conviver com outra pessoa e estar predisposto a partilhar a nossa própria vida.
Nada é imutável na vida, mas o mundo gira e gira e gira...nunca se sabe!
Só sendo personagem activo se pode decidir o melhor!
Beijo
António

*izil* disse...

Estou esperando o próximo capítulo para saber o que vai acontecer, também procuro entender algumas situações indefinidas.